▼

22/04/2016

O Barnehage dos meus filhos, Jardim-de-Infância na Noruega


A Joana Costa é mãe de dois meninos e vive na Noruega. Conhecemo-nos através das redes sociais e descobrimos que partilhamos de um interesse comum - a educação das crianças. Ora, juntando este interesse à minha curiosidade sobre como é a infância das crianças lá fora, noutros países, rapidamente começámos a trocar mensagens. E tem sido lindo! Obrigada Joana!
Hoje, apresento aqui no blog, com muita alegria, um texto incrível, sobre a sua experiência com o jardim-de-infância dos seus dois filhos.


O barnehage dos meus filhos
Joana Costa, Sandefjord, Noruega

Somos uma família de quatro: um pai, uma mãe e dois rapazitos giros de 1 e 4 anos de idade. Mudámo-nos para Sandefjord, Noruega, no início de 2015 e desde Agosto desse ano que os meus filhos frequentam um jardim-de-infância norueguês. Ou o chamado barnehage, como se diz por cá.

Os jardins-de-infância noruegueses recebem crianças desde os 0 aos 5/6 anos. Geralmente as crianças estão divididas em dois grandes grupos de acordo com a faixa etária em que se inserem: um grupo de crianças com idades compreendidas entre os 0 e os 2/3 anos e outro grupo com crianças de idades entre os 3 e os 5/6 anos. No caso específico do barnehage dos meus filhos, os dois grupos chamam-se, respectivamente, liten base e stor base. Numa tradução literal seria algo do género: base pequena e base grande. Esta divisão entre as crianças é, também, uma divisão física na partilha do espaço. No que diz respeito a espaços interiores e exteriores, uma parte do jardim-de-infância é frequentada pela stor base e a outra parte pela liten base.
Dentro de cada base pode, ou não, haver mais divisões entre as crianças. Mas geralmente crianças de diferentes idades estão juntas a brincar e a partilhar o mesmo espaço físico. Contudo, pode também haver divisões nomeadamente quando as educadoras pretendem desenvolver uma ou outra atividade que resultam melhor numa determinada fase de desenvolvimento da criança. Do meu ponto de vista, o facto de não separarem as crianças por anos/idades, isto é, não existirem turmas de meninos de 1 ano, separadas dos meninos de 2 anos, e por aí fora, tem a ver com o incentivo da aprendizagem entre as próprias crianças. Por outras palavras, as crianças mais novas brincam e aprendem com o conhecimento das crianças mais velhas. Por sua vez, os mais velhos aprendem a ajudar e a respeitar os mais novos. E existe, deste modo, uma troca mútua de experiências considerada benéfica.


No que diz respeito às rotinas diárias do jardim-de-infância, constato que há uma grande preocupação em permitir que a criança brinque o tempo máximo possível ao ar livre. A não ser em caso de condições meteorológicas adversas, parte do dia de “escola” da criança é passado ao ar livre. Quer esteja a nevar, a chuviscar, a fazer sol, a fazer vento, as crianças são incentivadas a brincar nos espaços de exterior.


Adicionalmente, as crianças mais pequenas, da liten base, também fazem a sesta na rua (debaixo de um telheiro) no interior da alcofa dos carrinhos de bebé.
Por estas razões, o vestuário dos filhos é sempre uma grande preocupação para os pais na Noruega. Temos de ter no barnehage roupa variada para, independentemente das alterações meteorológicas, os nossos filhos estarem devidamente equipados para ir brincar na rua. Temos coisas tão variadas como: galochas, casacos e calças impermeáveis, luvas impermeáveis, gorros finos, gorros grossos, botas de neve, fatos de neve, luvas para a neve, fatos finos à prova de água e vento, calças e camisolas polares, calças e camisolas interiores de lã, meias de lã e de algodão, luvas finas de malha, bonés para o sol, ténis,… Ufa! Um sem fim de roupa à prova de qualquer tipo de tempo!




Mas nas escolas norueguesas as crianças não estão na rua só para brincar. Aqui, incentiva-se muito o desenvolvimento das mais diferentes atividades ao ar livre. 


Em vez de estar a fazer desenhos e a pintar na sala, porque não pintar na rua? 
Em vez de pintar com tintas em folhas de papel, porque não pintar os ramos das árvores que se encontram no chão ou que se recolheram num passeio à floresta? 
Porque não lanchar no recreio em vez de lanchar dentro da sala ou cozinha? 
Porquê estar a fazer construções com peças de madeira dentro da sala quando se pode, também, estar no exterior a fazer castelos de areia (ou neve!) e a brincar com baldes, pás, escavadoras e camiões na caixa de areia? 

Sim, há dias em que os meus filhos chegam mesmo muito sujos a casa (talvez a grande maioria dos dias) e que inclusivamente “temos de os sacudir” antes de entrarem para não encherem a casa com areia. Mas apesar da sujidade, os nossos filhos chegam felizes! Muito felizes!
Gastaram energias o dia todo e por isso estão tão cansados que depois do banho e do jantar o sono chega rapidinho todas as noites.




Quanto ao espaço interior do jardim-de-infância, a única grande barreira física é entre a stor base e a liten base, de resto as crianças têm acesso a todas as salas do edifício. Em ambas as bases existem as mais diversas salas onde as crianças podem estar a desenvolver as mais diversas atividades ao mesmo tempo. Existe a sala de leitura, a sala de desenho, a sala de construções, a sala dos carros, a sala do faz de conta (com loja, cozinha, quarto e sala de brincar com bonecas) a sala de música e a sala temática (que muda a decoração conforme o projeto pedagógico em que as crianças estejam envolvidas em determinado momento). Por outro lado, o número disponível de educadoras de infância e assistentes é elevado, permitindo assim que as crianças se distribuam pelas diversas salas existentes e brinquem ou desenvolvam diversas atividades ao mesmo tempo. Apesar de existirem momentos do dia em que as atividades desenvolvidas pelas crianças são conduzidas e definidas por um adulto, parte do dia também é decidido pela criança. É a criança que decide o que quer fazer.  Pode optar por descansar um pouco e ler um livro na sala de leitura, ou ir fazer desenhos ou moldar em plasticina na sala de desenho ou brincar às casinhas na sala do faz de conta, por exemplo.

As visitas de estudo também são uma constante do barnehage dos meus filhos. E desde pequeninas, com apenas 1 ano de vida, as crianças fazem pequenos passeios ao exterior do jardim-de-infância. Muitos dos passeios ou visitas de estudo, acontecem no âmbito do projeto que esteja a ser desenvolvido naquele momento no barnehage. Por exemplo, quando o meu mais novo esteve a aprender sobre os bombeiros, fez uma visita ao quartel dos bombeiros. Quando abordaram a temática do Carnaval, foram passear até uma fonte com estátuas de crianças pequeninas e levaram roupas para vestirem ou “mascararem” as estátuas. Quando o meu mais velho esteve a aprender sobre lojas, e que com moedas e notas podemos comprar coisas, a visita de estudo dele foi ao supermercado próximo. Ou, então, nem é preciso um pretexto para ir fazer um passeio ou visita de estudo. Às vezes os dias estão tão bonitos e agradáveis que eles vão brincar para o parque da cidade, ou só dar um passeio pelas ruas, ou vão ao supermercado comprar pão para o lanche. Qualquer desculpa é uma boa desculpa para aproveitar o ar livre e ir dar um passeio, ou como se diz em norueguês gå på tur.


Imagem retirada do site http://www.nrk.no 
http://www.nrk.no/vestfold/turmat-kan-vaere-mer-enn-polser-1.12807565
Clica no link. Tem um vídeo muito amoroso, sobre a preparação da refeição, numa saída de um grupo de crianças á floresta.

Ainda no âmbito dos passeios ou visitas de estudo é comum, no jardim-de-infância dos meus filhos, fazer-se um passeio a uma floresta junto ao fiorde, no mínimo uma vez por mês. Neste caso, e com esta frequência, apenas as crianças de 4 e 5/6 anos participam, mas as de 3 anos também acompanham, por vezes, entre os meses de primavera e outono. Ao contrário dos restantes passeios que são a pé, o percurso até à floresta é feito de autocarro. As crianças passam lá o dia todo por isso cada criança transporta a sua própria mochila com uma muda de roupa. Na floresta existe uma pequena cabana, ou hytte em norueguês, que serve de refúgio nos dias mais frios de Inverno e onde é guardado todo o material do barnehage. 
Na floresta as crianças aprendem acerca da Natureza, observam árvores, procuram insetos, aprendem a fazer fogueiras para cozinhar ou aquecer o almoço, fazem carpintaria, sobem às árvores e aos montes rochosos. 
Já junto ao mar, aprendem a pescar e a apanhar caranguejos, observam as algas e as conchas e brincam na areia. Este é sempre o passeio favorito dos mais crescidos e é o passeio favorito do meu filho mais velho! Eles costumam ter muita liberdade no barnehage mas é ali que eles se sentem mais livres. Ali eles podem explorar o que os rodeia e é ali que eles podem ser os protagonistas das suas próprias aventuras!


Imagem retirada do site http://www.nrk.no 
http://www.nrk.no/vestfold/turmat-kan-vaere-mer-enn-polser-1.12807565.

Até agora a nossa experiência com um jardim-de-infância norueguês está a ser muito positiva. E vê-se pelas caras de felicidade dos meus filhos! É um pouco diferente do que estávamos habituados em Portugal mas não quer dizer que seja melhor ou pior, é diferente. Aqui a sociedade é diferente, a cultura é diferente e os hábitos são outros. Por isso, este modelo de jardim-de-infância reflete essas diferenças e a própria experiência de vida norueguesa. 


MUITO OBRIGADA JOANA PELA PARTILHA!


Podem conhecer um pouco mais sobre a experiência de vida da Joana Costa e da sua família na Noruega aqui, num texto sobre Portugueses no globo,  do blog de viagens halfway2happiness.

23/03/2016

As pequenas coisas que nos ligam



Com a desculpa de que temos de preparar as crianças para o futuro, criamos barreiras. 
Ao impormos perdemos conexão.

É impossível prever como será o mundo daqui a vinte anos e qual o conhecimento necessário para ser "bem sucedido".
As crianças vão precisar mais do que conhecimento e do que aquisição de informação. O que vão sempre necessitar é de pensamento criativo, de envolvimento emocional e de capacidade de resolução.
Para um futuro incerto, as melhores ferramentas são o pensamento, o sentimento e a vontade.

Quando compreendemos os princípios de desenvolvimento da criança e observamos os seus movimentos e seguimos os seus interesses, criamos relações de conexão, de respeito e de felicidade mútua.
Temos de reconhecer as forças da criança, e na escola e na família trazer ao cimo essas forças através de uma educação bem aprofundada. Para isso é importante oferecer ás crianças variedade de experiências, procurando os seus sinais de entusiasmo, atenção e envolvimento.

A observação cuidada é muito mais apropriada que qualquer teste de valiação da matéria. Estes testes não valorizam a iniciativa, a criatividade, a imaginação, a curiosidade, o compromisso e a boa-vontade.
Valoriza-se muito o lado cognitivo. Mas, a criança é dotada de dons e talentos, que devem ser potenciados. A arte por exemplo, nas suas diversas dimensões, é uma forma de expressão que promove a unificação das capacidades da criança. A natureza é também o veículo perfeito para a construção criativa do pensamento. Qual o lugar dado ás artes e á natureza na educação? Como observamos as crianças nos diferentes contextos?

Vamos estudar um pouco de Howard Gardner e as Inteligências Múltiplas; um pouco de Loris Malaguzzi e as 100 Linguagens da Criança;  vamos estudar também um pouco de Rudolf Steiner e as Escolas Waldorf e a sua visão de crianças com dons e talentos;  e sobre o Adulto Preparado e a Observação da Criança tão mencionados ao longo da obra de Maria Montessori. 

Todos estes pensadores de educação, acreditam na criança.

Qual a tua opinião sobre este assunto?






Jardim de Primavera


Tivemos a oportunidade de criar um jardim de amores-perfeitos, num espaço dedicado a crianças, com muita natureza envolvente e com gente boa. 
Diz uma amiga que os amores-perfeitos são comestíveis.Por enquanto ficam no jardim. ;) 


Os materiais necessários para pintar os pneus : tintas e pincéis.




Secagem rápida






















Amor-perfeito!


Decoração de Páscoa


Numa das idas ao bosque, recolhemos alguns paus. Inspiradas em ideias do mundo virtual, fizemos uma decoração de Páscoa com os pauzinhos e pompons coloridos. Ficou uma decoração muito simples e alegre.

Os materiais necessários são ramos/paus, pompons coloridos, cola, tesoura e um vaso ou jarra.
A cola, convém ser espessa para o pompom aderir bem sem absorver a cola. Usamos cola quente, mas também experimentamos com cola branca mais espessa e resultou. Com uma cola mais líquida o pompom absorve e não cola. Utilizamos uma tesoura própria para cortar os paus na medida certa. Escolhemos uma orquídea para colocar os pauzinhos decorados. Numa jarra, também fica giro, como podes ver neste tutorial em vídeo Pom Pom Branches, de onde tirei a ideia.







Reparamos que este pequeno ramo, parecia uma letra. A criar e a aprender.





Espero que tenham gostado desta ideia.
Desejo-vos uma Feliz Páscoa!

Beijinhos,
Diana

04/03/2016

Formas e transparências com papel celofane





Esta atividade é ótima para os tais dias (longos) de mau tempo, em que vamos várias vezes á janela espreitar se podemos ir lá para fora. Com papel celofane  criamos várias formas geométricas e transparências de várias cores para pendurar ou colar no vidro da janela. Depois é só observar as diferentes tonalidades que podem ir tendo, mediante a intensidade da luz. Giro, não é?


Com poucos materiais podemos fazer atividades engraçadas e que estimulam a curiosidade das nossas crianças. Organizamos um tabuleiro com todo o material necessário. Usamos papel celofane verde e azul, pauzinhos de gelado, réguas, cola e pincel, tesoura e fita-cola dupla.




Dependendo da idade da criança, pode precisar de ajuda de um adulto. Aqui foi necessário. Cortei o papel celofane mais ou menos á medida das formas geométricas e ajudei a alinhar os pauzinhos. Esta última intervenção da minha parte até era absolutamente desnecessária! Porque não tinha mal nenhum se os pauzinhos não ficassem tão alinhandos! 






No final usamos também um cartão com um círculo e uma espécie de janelinha, que vinha numa caixa de cartão de brinquedos. A imaginação não tem limites. Aqui mostro apenas uma sugestão que espero ser um ponto-de-partida para criares coisas fabulásticas com as tuas crianças.

Muffins de Limão | Vida Prática



Continuamos com os dias de chuva, bem convidativos a lanches com uma bebida quentinha. Que tal fazer uns queques de limão? 

Aprendi esta receita com a Maria Aragão. Tentei seguir a receita original, conforme eu assisti (!) mas esqueci-me de incluir as sementes de papoila. E em vez de deitar bebida de soja, adicionei bebida de coco que tinha acabado de fazer! Mas, sugiro que sigas a receita correctamente porque os queques ficam bem melhores. E já que estou a confessar os meus erros, acrescento que deitei uma chávena de farinha de trigo e uma chávena de farinha de espelta em vez de duas chávenas de trigo!




No liquidificador juntamos a bebida de soja, o óleo, o tofu, as sementes, o sumo e a raspa de limão e deixamos bater durante uns segundos.
Numa taça juntamos a farinha, o fermento e o açúcar e mexemos.
Juntamos a mistura seca com a mistura líquida e batemos com a batedeira durante um minuto.
Vertemos a massa em formas de coração, porque gostamos. Mas nas tradicionais formas de queque ficariam muito bem e se tívessemos deitado as sementes de papoila o aspecto final seria também mais bonito!
Levar ao forno a 190ºC durante 20 a 30 minutos.


Mesmo assim, ficaram bons. O mais importante foi ter feito e a miúda ter participado com todo o gosto!

Extra:
A bebida de coco, é bastante simples de fazer. No liquidificador, junta-se 100gr de coco ralado com duas chávenas de água morna. Bater bem e depois coar. O processo é semelhante ao da bebida vegetal de avelãs.



Se quiseres fazer um lanche com mais coisas boas, experimenta estes Brownies de Batata Doce ou estes Crepes de Chocolate!

03/03/2016

Outros ritmos

Printfriendly

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Print

Print Friendly and PDF